segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Coquetel Molotov – Sexta-feira, 19 de setembro de 2008



A caminho do Coquetel Molotov, já atrasada, eu torcia para chegar a tempo de ver alguma banda que tocaria na sala Cine. Minha expectativa era por saber que uma daquelas bandas menores, que se apresentam na parte “free” do evento poderia ser uma grande surpresa musical.
Eram umas sete e meia da noite quando “rodei” a catraca que dava acesso a sala Cine. Bandini, uma banda de Natal, se apresentava para um número de gente que não lotava o lugar pequeno. A banda, apesar da boa energia no palco, soava tão parecido com Interpol, que em uma das muitas vezes que entrei e saí da sala, uma organizadora do evento parecia ler meu pensamento quando disse: “Igualzinho a Interpol”. Não era nada difícil de ser notado. Diferente mesmo, só o fato da banda contar uma mulher no baixo, que ainda revezou a guitarra com um dos integrantes. O som anima, mas até os trejeitos copiados de Paul Banks, passaram a impressão que a banda ainda tem muito o que amadurecer musicalmente.
Na sequência, uma banda chamada Guizado, de São Paulo, que pelo nome até poderia arriscar que misturavam algo de pé de serra, talvez. Eles vieram, sem sanfona ou triângulo, e sim com um som instrumental, psicodélico. O trompete entrava no momento certo e parecia conduzir o pessoal numa viagem . A sala encheu, esquentou, e pareceu pequena para a banda que foi uma grande revelação da noite.
Ao final dos shows da sala Cine, a fila para entrar no teatro já não era tão grande, porque muitos tiveram a idéia de se antecipar a fim de garantir uma cadeira perto do palco. Depois da entrada do pessoal, a primeira banda a subir no palco foi Júlia Says, daqui de Pernambuco. Além das composições criativas que prendia a atenção de quem assistia, também foi o primeiro contato do público com a qualidade da produção do Coquetel Molotov. Som com acústica perfeita, e a iluminação, outro espetáculo a parte, que às vezes projetava a sombra dos integrantes na parede de fundo. Assim, a banda e o evento crescia aos nossos olhos.
Cidadão Instigado, que veio com a missão de substituir a Vanguart, não instigou.
A próxima e tão aguardada banda era dos suecos da Shout Out Louds, que fez muita gente se juntar em frente ao palco, em pé, para cantar e dançar. Mas essa idéia de copiar o The Cure não cola, e o show foi o momento ideal para dar uns cochilos e esperar a grande atração da noite. Que o diga o senhor que se sentou ao meu lado.
Depois do fim de Los Hermanos, poder ver Marcelo Camelo em seu show solo seria ideal para o público recifense matar a saudade. Com todos devidamente sentados, banquinho e violão no palco, o nome de Camelo é anunciado com o impacto que causa um grande nome da MPB. Acompanhado da banda Hurtmold, ele tocou músicas do seu cd de estréia e era acompanhado por um coro super afinado.
Em uma das músicas, ele convida Malu Magalhães para uma participação, e a menina de 15 anos, que também era fã de Los Hermanos, desaba num choro. Sua presença ali se explica no momento que ela consegue começar a cantar, e encanta com seu vozeirão doce.
O momento mais emocionante do show viria mesmo quando Camelo tocou músicas do disco 4 de Los Hermanos. Era como se nunca mais fossemos ouvir aquelas canções no palco, por quem compôs.
Um show inesquecível, desses que você olha para o que está acontecendo paralisado, e agradece por estar naquele lugar, naquela hora, com aquelas pessoas, presenciando aquele momento.